
Foto Reprodução (Foto: Rádio Web Focus Hits de Barreirinhas - MA https://portaloinformante.com.br/)
O Brasil registrou 110.449 denúncias de abuso sexual contra crianças e adolescentes entre 2021 e 2024. Os dados, do Painel de Dados do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania, mostram uma tendência alarmante de crescimento. O ano de 2024 foi o mais crítico, com 36.802 ocorrências, número quase o dobro do registrado em 2021, que teve 18.809 casos.

A data de 18 de maio, marcada pelo Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, traz à tona a gravidade da situação. O aumento das denúncias é acompanhado de um padrão preocupante: em quase metade dos casos, as vítimas residem na mesma casa que o agressor. Só em 2024, esse foi o cenário de 16.836 denúncias — 44% do total acumulado em quatro anos.
Em 2025, os dados continuam em alta. Somente de janeiro a abril, o país já contabilizou 11.110 denúncias, mais do que o mesmo período do ano anterior, que teve 10.566. Até o momento, nenhum mês apresentou recuo.
O ambiente virtual, por outro lado, registrou queda nas denúncias. Depois de um pico em 2022 (2.169 casos), os números caíram para 1.221 em 2024. Mesmo assim, a exposição de crianças e adolescentes na internet segue como uma preocupação importante, especialmente diante de redes sociais sem filtros de segurança e da facilidade de contato entre vítimas e abusadores.
Mudanças de comportamento são sinais de alerta
Segundo especialistas, não existe um único indicativo claro de abuso. Alterações físicas e comportamentais são os primeiros sinais que merecem atenção, como explica a psicóloga e pedagoga Deborah Gimene. Entre os sinais de alerta estão hematomas frequentes, infecções recorrentes, mudanças bruscas de humor, queda no rendimento escolar e sentimento excessivo de culpa.
“A criança ou adolescente pode não saber expressar o que está acontecendo, mas o corpo e o comportamento falam. O olhar atento de pais, professores e cuidadores é fundamental”, afirma Deborah.
Prevenção começa com a educação
Para Deborah, a educação sexual é uma das principais ferramentas de prevenção ao abuso. Ela defende que o tema não deve ser confundido com discussões sobre sexo, mas sim com orientações sobre o corpo, sentimentos, limites e respeito.
“Educação sexual não é ensinar sexo. É ensinar que o corpo tem valor, que sentimentos importam e que ninguém pode ultrapassar certos limites. É uma forma de empoderar crianças e adolescentes”, reforça a especialista.
Em casos de violência, o acompanhamento psicológico é essencial para que a vítima possa compreender o que viveu e reconstruir sua vida. “A terapia é o espaço onde é possível trabalhar a dor, sem julgamento, e transformar essa experiência em algo que não defina o futuro da vítima”, conclui Deborah.